Poderia te mostrar o que imaginei para esse fim cheio de escrúpulos. Poderia mentir, jurando que as rimas se desencontraram no final dos versos…
Ela não partiu por falta de afeto, mas por uma fome de mundo que o amor dele não conseguia saciar. O “nós” havia se tornado um jardim bem cuidado, mas ela queria o gosto do asfalto…
O sol ainda não ilumina esta rua. Ele habita o céu, mas, tímido, não alcança o asfalto onde piso…
A caneta posta em uma posição diferente, o caderno recebeu sua tinta de inspiração e a poesia se transformou em vida completa, por mágica…
É como querer segurar a água com a força da mão. Por mais que a força se concentre, a água se esvazia rapidamente por entre espaços invisíveis…
Era como uma conexão que não tinha forças para se manter por mais que um instante…
A rajada de vento fez uivar a rachadura da porta que eu nunca consegui fechar…
Novamente eu sonho contigo e sei que meus dias agora serão a eterna espiral de lembranças, angústias e porquês sem explicação…
A bolsa no sofá, o café em um ponto qualquer, a saudação enrolada e um sorriso com brilho de um sol que não se acostuma…